Jackie Mittoo (Donat Roy Mittoo) foi um dos músicos mais importantes no desenvolvimento da música da Jamaica. Nasceu em 1948 e 13 anos mais tarde já tocava em bandas como The Rivals e The Sheiks. Foi por volta desta época que começou a frequentar o Federal Studios e ali se enturmou com a nata dos músicos jamaicanos que, em Junho de 1964, formariam (ou melhor, se tornariam) o Skatalites.
Foi em 1959, enquanto gravava alguns artistas no Federal Studios, que Clement ‘Coxsone’ Dodd teve seu primeiro contato com Jackie Mittoo. Dodd ficou muito impressionado com o talento do rapaz e logo o convidou para uma sessão em seu novo estúdio (o famoso Studio One) inaugurado um pouco depois, no ano de 1963.
Quando o Skatalites acabou, Dodd reuniu os músicos numa banda de estúdio, The Soul Brothers, primeiramente sob a direção de Roland Alphonso. Alphonso ficou responsável pelos arranjos de metais enquanto Jackie escrevia a música. Jackie era um maestro, dava ao baixista suas linhas, escrevia os acordes para o guitarrista e tocava seu teclado, além de organizar as gravações. Naturalmente Jackie assumiu a liderança do grupo, mudando o nome para The Soul Vendors e depois para Sound Dimension. Mittoo e Dodd gravaram milhares de músicas ao longo dos anos sessenta. Ken Boothe, Bob Andy, Alton Ellis, The Wailers, The Heptones, Marcia Griffiths, John Holt, Slim Smith e Delroy Wilson são apenas alguns dos inúmeros artistas registrados neste período. O tecladista também gravou diversos instrumentais, paralelamente.
Jackie Mittoo é foundation. Seu talento artístico e criativo ajudaram a fundar, enriquecer e consolidar o som da ilha. Vale lembrar também que sua música recebe constantemente covers e versões, o que eternaliza seu trabalho. Infelizmente, Mittoo veio a falecer novo, aos 42, vítima de câncer no ano de 1990.
• Tribute to Jackie Mittoo — Disc 1; Disc 2 #album #download
KING STITT — PORQUE IR EM SUA APRESENTAÇÃO?
Algumas pessoas podem estar se perguntando: “Quem afinal é King Stitt e por que esses caras do RoodBoss fazem tanta festa quando falam dele?”. Tentarei explicar em alguns parágrafos a importância de receber alguém como ele no Brasil.
King Stitt é foundation! Quando digo isso, quero dizer que Winston Sparkes (seu nome de batismo) faz parte do grupo de artistas que vivenciou a música jamaicana desde sua origem. Em 1958 ele já segurava o microfone e ajudava a construir um estilo de “interação musical” que marcou a cultura musical da Jamaica: o deejay. Stitt junto com Count Machuki e Sir Lord Comic, são considerados os três grandes pioneiros dessa forma de “cantar” e que influênciou nomes como U-Roy, I-Roy, Big Youth, Dave Barker, Dennis Alcapone, Lone Ranger, entre tantos outros. No inicio os deejays estavam a frente dos sound systems. Eram eles que animavam o público. Apresentavam a música que seria tocada (como um locutor de rádio) ou interagiam com ela, criando “versos” que respondiam outro da canção, por exemplo. Na maioria das vezes esses versos se tornavam uma assinatura de cada deejay.
O estilo deejay não foi apenas importante na ilha, ele influênciou, ou melhor, foi precurssor do rap americano. No início da cultura hip-hop, na década de 1970, um dos primeiros DJs/rappers (note que aqui não quero dizer deejay e sim, Disc Jokey como comumente conhecemos) foi Kool Herc, imigrante jamaicano nos EUA que, inspirados na cultura de sua terra natal, fazia versos simples sobre as músicas em suas festas que aconteciam no Bronx, Nova York. Esse contexto foi o berço de um dos estilos musicais mais conhecidos e difundidos no mundo atualmente, o rap, que compõe um dos três ramos da cultura hip-hop, junto com o break (dança) e o grafite (artes plásticas).
Foi Count Machuki, a frente do Sir Coxsone’s Downbeat quem introduziu Stitt ao “deejaying”. Segundo a história, Machuki achou que Stitt dançava muito bem e disse a ele que sendo um bom dançarino seria também um excelente deejay. A partir daí, Stitt passou a trabalhar com Coxsone, antes mesmo de existir um ritmo chamado Ska. Nessa época os sistemas de som jamaicanos tocavam música negra americana como jazz, R&B, boogie woogie e soul. A princípio, Stitt foi o segundo deejay de Dodd assumindo a posição principal com a saída de Machuki e U-Roy passando para seu posto. Por trabalhar com Coxsone, King Stitt vivenciou e participou de toda a trajetória do que é considerado o mais importante estúdio jamaicano, o Studio One, considerado a Motown jamaicana. Esse paralelo é feito ao considerar a importância que o Studio One representou para a música da Jamaica, assim como foi a Motown para a música negra americana.
Nascido com uma paralisia facial, causando-lhe uma deformação, King Stitt aproveitou-se de sua anomalia e transformou-a em sua “marca”. Apelidou-se de “The Ugly One” (o feio) em referência ao filme do italiano Sergio Leone “The Good, The Bad and The Ugly”, um clássico do velho oeste.
Apesar do trabalho que fazia junto com Clement “Coxsone” Dodd desde o final da década de 1950, foi apenas no final de 1960 que Sitt teve seu primeiro material gravado e lançado pelo produtor Clancy Eccles junto com os Dynamites como backing band. Gravações como “Fire Corner”, “Virgoton 2” e “Lee Van Cleef” foram grandes sucessos na época, sob os labels Clandisc, Newbeat (Jamaica) e Trojan’s Clandisc (Inglaterra). Com o sucesso atingindo por Sitt nas gravações feitas por Eccles, mais tarde, Dodd começou também a lançar e gravar materiais com King Stitt. Um desses lançamentos, já na década de 1990 é o álbum “Dance Hall 63’”, uma compilação de clássicos do Studio One com a interação de Stitt. Uma reprodução em forma de disco das suas atuações no Sir Coxsone’s Downbeat.
King Stitt é uma lenda viva! Vivenciou todos os momentos da música jamaicana, da cultura sound system, participou das origens e influênciou centenas. Foi pioneiro em um estilo vocal que marcou não só a ilha caribenha, mas a música no mundo como um todo. Não há como descrever a importância de receber um artista como ele em Belo Horizonte. Aos 71 anos de idade, é a primeira vez que Stitt se apresenta como principal atração fora da Jamaica. É o deejay mais velho ainda vivo, um dos três pioneiros, sendo o mais representativo dos três. Faz parte da história musical.
Repetindo: É UMA LENDA. E é uma honra para nós, belorizontinos, podermos recebê-lo aqui!
Por Gustavo Leal
Serviço: RoodBoss Downbeat {KING STITT} | King Stitt (JA), RoodBoss Soundsystem (BH), Jurassic sound (SP), Muamba sounds (SP) | Dia 8/10 à partir das 22h no Mercado das Borboletas, Av. Olegário Maciel 742, 3º piso, Centro / Estacionamento no local | Preço: à partir de R$20
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LOTE 1 = R$20 | LOTE 2 = R$25 | LOTE 3 = R$30
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• Especial King Stitt
Especial King Stitt #09
Com o sucesso dos lançamentos produzidos por Clancy Eccles, Clement ‘Coxsone’ Dodd começou gravar seu próprio deejay, produzindo alguns singles muito raros de se encontrar hoje em dia.
Mais tarde, nos anos 1990, lançou um álbum intitulado ”Dancehall ‘63” com os vocais de King Stitt sobre velharias, principalmente do ska. Destaque para “On the Beach” de Owen Grey que, originalmente, é considerada o primeiro dubplate da história, uma vez que se refere ao sistema de som Sir ‘Coxsone’ Downbeat.
Especial King Stitt #01
Winston Sparkes nasceu em Kingston, Jamaica, no ano de 1940. Ganhou o apelido de “Stitt” quando ainda era criança e decidiu usá-lo na carreira artística. “King” veio mais tarde quando foi coroado rei (dos deejays) em algum baile da época. Iniciou sua carreira no sound system de Clement ‘Coxsone’ Dodd (que fundaria o Studio One) na década de 1950. Tudo começou quando Count Machuki, primeiro deejay da história, o convidou para uma tentativa no microfone. Hoje, King Stitt é o deejay jamaicano mais antigo, ainda vivo.
PEOPLE FUNNY BOY, LEE (KING) PERRY
A carreira musical de Lee “Scratch” Perry começou no final da década de 50 trabalhando para Coxsone Dodd em seu sistema de som. Um tempo depois a dupla se desentendeu e Perry foi trabalhar com Joe Gibbs em seu selo Amalgamated Records. Ali ele continuou a fazer suas gravações, mas problemas financeiros vieram a causar conflitos. Perry deixou Gibbs e fundou seu próprio selo, Upsetter, em 1968. People Funny Boy foi seu primeiro single. A música era um ataque direto a Joe Gibbs e, sonoramente, marcava uma nova era na música jamaicana. Anteriormente, nada soava como este tune. Uma batida rápida e descomprometida da influência do soul americano predominante no rocksteady.
O uso inovador de um sample também é algo notável aqui: um bebê chorando. Perry conta que a inspiração veio de um culto de Pocomania (similar ao Voodoo). Uma noite ele passava em frente a uma dessas igrejas e ouviu o gemido das pessoas. Daí teve a idéia de fazer um som que capturasse a vibração daquelas pessoas.
A música foi um hit na Jamaica e deu base para que Perry se tornasse o produtor mais demandado da época. Seu trabalho para artistas notáveis como The Wailers (entre 69 e 71), Junior Murvin, The Congos e Max Romeo trouxe muita gente à sua porta, desde Paul McCartney a Robert Palmer.
Muitos dizem que este é o primeiro reggay da história. Perry se contenta em dizer que apenas segue as vibrações espirituais para coordenar a sonoridade em questão.
O Skatalites surgiu, incialmente, como back band do estúdio mais famoso da Jamaica, o Studio One, do produtor Coxsone Dodd. A banda reunia os melhores músicos de jazz, boogie-woggie, mento, calypso e ritmos africanos da ilha. Quase todos eles tinham uma formação em comum, a Alpha Boy School, escola católica para orfãos que, dentro da sua grade curricular, lecionava música. Essa mistura de influências que acontecia naquela época deu origem ao primeiro estilo musical verdadeiramente jamaicano: o Ska.
A sonoridade da banda era tão contagiante que os fãs começaram a se perguntar quem eram os músicos por trás das canções que ouviam. Foi assim que Tommy McCook — principal integrante do Skatalites, em sua origem, e importantíssimo para a música jamaicana como um todo — sugeriu que a banda fosse oficializada: The Skatalites. O ska estourou a partir daí, constantemente extrapolando as fronteiras da ilha e conquistando público fiel em outras partes do mundo.
A banda já gravou com diversos artistas de renome, incluindo Bob Marley quando o Wailling Wailers ainda era um trio vocal composto por ele, Peter Tosh e Bunny Wailer.
Sexta-feira, dia 15 de abril, Belo Horizonte terá o prazer de receber o lendário Skatalites. O show faz parte do Flaming Night 17, festival produzido pela 53HC. As bandas Pequena Morte, Fusile e Peixoto & Machado também se apresentam. O americano Victor Rice participa com seus dubs e nós, seletores do RoodBoss Soundsystem, deixamos a agulha correr sobre os tradicionais disquinhos jamaicanos.
A festa acontecerá no Music Hall (Av. Contorno 3239, Santa Efigênia).
Kingston foi a cidade escolhida nesta última edição do projeto Show Us Your Type. Trata-se de uma plataforma creativa que permite aos designers do mundo inteiro compartilhar o talento sobre diferentes perspectivas desses centros urbanos. O seletor do RoodBoss, Zumberto, teve seu trabalho selecionado (acima). Confira os demais cartazes da capital da nossa querida ilha caribenha:
Before The Wailers hit, the most popular group was The Techniques with Slim Smith…