Dennis Alcapone, Derrick Morgan, Jimmy Cliff & Bunny Striker Lee. Foundation!
Dynamic Sounds, Jamaica 1971.
RoodBoss Downbeat feat. King Stitt [08.10.11]
Fotos: Caroline Barrionuevo.
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KING STITT — PORQUE IR EM SUA APRESENTAÇÃO?
Algumas pessoas podem estar se perguntando: “Quem afinal é King Stitt e por que esses caras do RoodBoss fazem tanta festa quando falam dele?”. Tentarei explicar em alguns parágrafos a importância de receber alguém como ele no Brasil.
King Stitt é foundation! Quando digo isso, quero dizer que Winston Sparkes (seu nome de batismo) faz parte do grupo de artistas que vivenciou a música jamaicana desde sua origem. Em 1958 ele já segurava o microfone e ajudava a construir um estilo de “interação musical” que marcou a cultura musical da Jamaica: o deejay. Stitt junto com Count Machuki e Sir Lord Comic, são considerados os três grandes pioneiros dessa forma de “cantar” e que influênciou nomes como U-Roy, I-Roy, Big Youth, Dave Barker, Dennis Alcapone, Lone Ranger, entre tantos outros. No inicio os deejays estavam a frente dos sound systems. Eram eles que animavam o público. Apresentavam a música que seria tocada (como um locutor de rádio) ou interagiam com ela, criando “versos” que respondiam outro da canção, por exemplo. Na maioria das vezes esses versos se tornavam uma assinatura de cada deejay.
O estilo deejay não foi apenas importante na ilha, ele influênciou, ou melhor, foi precurssor do rap americano. No início da cultura hip-hop, na década de 1970, um dos primeiros DJs/rappers (note que aqui não quero dizer deejay e sim, Disc Jokey como comumente conhecemos) foi Kool Herc, imigrante jamaicano nos EUA que, inspirados na cultura de sua terra natal, fazia versos simples sobre as músicas em suas festas que aconteciam no Bronx, Nova York. Esse contexto foi o berço de um dos estilos musicais mais conhecidos e difundidos no mundo atualmente, o rap, que compõe um dos três ramos da cultura hip-hop, junto com o break (dança) e o grafite (artes plásticas).
Foi Count Machuki, a frente do Sir Coxsone’s Downbeat quem introduziu Stitt ao “deejaying”. Segundo a história, Machuki achou que Stitt dançava muito bem e disse a ele que sendo um bom dançarino seria também um excelente deejay. A partir daí, Stitt passou a trabalhar com Coxsone, antes mesmo de existir um ritmo chamado Ska. Nessa época os sistemas de som jamaicanos tocavam música negra americana como jazz, R&B, boogie woogie e soul. A princípio, Stitt foi o segundo deejay de Dodd assumindo a posição principal com a saída de Machuki e U-Roy passando para seu posto. Por trabalhar com Coxsone, King Stitt vivenciou e participou de toda a trajetória do que é considerado o mais importante estúdio jamaicano, o Studio One, considerado a Motown jamaicana. Esse paralelo é feito ao considerar a importância que o Studio One representou para a música da Jamaica, assim como foi a Motown para a música negra americana.
Nascido com uma paralisia facial, causando-lhe uma deformação, King Stitt aproveitou-se de sua anomalia e transformou-a em sua “marca”. Apelidou-se de “The Ugly One” (o feio) em referência ao filme do italiano Sergio Leone “The Good, The Bad and The Ugly”, um clássico do velho oeste.
Apesar do trabalho que fazia junto com Clement “Coxsone” Dodd desde o final da década de 1950, foi apenas no final de 1960 que Sitt teve seu primeiro material gravado e lançado pelo produtor Clancy Eccles junto com os Dynamites como backing band. Gravações como “Fire Corner”, “Virgoton 2” e “Lee Van Cleef” foram grandes sucessos na época, sob os labels Clandisc, Newbeat (Jamaica) e Trojan’s Clandisc (Inglaterra). Com o sucesso atingindo por Sitt nas gravações feitas por Eccles, mais tarde, Dodd começou também a lançar e gravar materiais com King Stitt. Um desses lançamentos, já na década de 1990 é o álbum “Dance Hall 63’”, uma compilação de clássicos do Studio One com a interação de Stitt. Uma reprodução em forma de disco das suas atuações no Sir Coxsone’s Downbeat.
King Stitt é uma lenda viva! Vivenciou todos os momentos da música jamaicana, da cultura sound system, participou das origens e influênciou centenas. Foi pioneiro em um estilo vocal que marcou não só a ilha caribenha, mas a música no mundo como um todo. Não há como descrever a importância de receber um artista como ele em Belo Horizonte. Aos 71 anos de idade, é a primeira vez que Stitt se apresenta como principal atração fora da Jamaica. É o deejay mais velho ainda vivo, um dos três pioneiros, sendo o mais representativo dos três. Faz parte da história musical.
Repetindo: É UMA LENDA. E é uma honra para nós, belorizontinos, podermos recebê-lo aqui!
Por Gustavo Leal
Serviço: RoodBoss Downbeat {KING STITT} | King Stitt (JA), RoodBoss Soundsystem (BH), Jurassic sound (SP), Muamba sounds (SP) | Dia 8/10 à partir das 22h no Mercado das Borboletas, Av. Olegário Maciel 742, 3º piso, Centro / Estacionamento no local | Preço: à partir de R$20
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ATÉ QUINTA DIA 6/10: http://roodboss.com/ugly
LOTE 1 = R$20 | LOTE 2 = R$25 | LOTE 3 = R$30
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• Especial King Stitt
“Sound systems really make the people unite.”
Cyril ‘Count C’ Braithwaite (1926–2011) foi um soundman das origens. Ele começou a operar seu sound system antes do dancehall, antes do reggae e antes mesmo do ska…
Count C não apenas chacoalhava a vizinhança com seu equipamento, mas também com seu potencial socio-cultural. Quando fundou o Count C Sound System em 1947, era muito respeitado pela comunidade de West Kingston e pelo conhecimento notável sobre história musical e cultural jamaicana.
Ainda não existia rádio na época e, mesmo quando apareceu no final dos anos 1950, poucos na vizinhança tinham condição de adquirir. Ou seja, nas condições daquele tempo, Count C era literalmente um rei. Possuia um som de pequeno porte, mas era valente. Nunca correu de uma disputa, mesmo quando Duke Reid apareceu na cena.
A importância de Count C foi mais do que musical. Seu entrosamento e comprometimento com a comunidade de West Kingston eram de grande representatividade, afinal, ele nasceu e atuou em uma área que foi nascente do poder político na transição para independência.
Também conhecido como “The Wizard of the West” (o mágico do oeste), Count C era um cara durão. Na Jamaica colonial dos anos 1950 e 1960 (época dos rude boys e dancehall crashers em meio a crescente violência urbana) essa característica era uma virtude, mas se um homem dependesse apenas dessa virtude seu destino mais provável seria a cadeia ou o cemitério. Count C se apoiou bastante na profunda ligação que tinha com aquela comunidade.
R.I.P Cyril ‘Count C’ Braithwaite, The Wizard of the West.