In the Black Ark studio we did too much alcohol and cigarettes and Godless smoking, so then I had to make a sacrifice because the smoke and the alcohol made so I couldn’t hear the words clearly and it all was confusion.
PEOPLE FUNNY BOY, LEE (KING) PERRY
A carreira musical de Lee “Scratch” Perry começou no final da década de 50 trabalhando para Coxsone Dodd em seu sistema de som. Um tempo depois a dupla se desentendeu e Perry foi trabalhar com Joe Gibbs em seu selo Amalgamated Records. Ali ele continuou a fazer suas gravações, mas problemas financeiros vieram a causar conflitos. Perry deixou Gibbs e fundou seu próprio selo, Upsetter, em 1968. People Funny Boy foi seu primeiro single. A música era um ataque direto a Joe Gibbs e, sonoramente, marcava uma nova era na música jamaicana. Anteriormente, nada soava como este tune. Uma batida rápida e descomprometida da influência do soul americano predominante no rocksteady.
O uso inovador de um sample também é algo notável aqui: um bebê chorando. Perry conta que a inspiração veio de um culto de Pocomania (similar ao Voodoo). Uma noite ele passava em frente a uma dessas igrejas e ouviu o gemido das pessoas. Daí teve a idéia de fazer um som que capturasse a vibração daquelas pessoas.
A música foi um hit na Jamaica e deu base para que Perry se tornasse o produtor mais demandado da época. Seu trabalho para artistas notáveis como The Wailers (entre 69 e 71), Junior Murvin, The Congos e Max Romeo trouxe muita gente à sua porta, desde Paul McCartney a Robert Palmer.
Muitos dizem que este é o primeiro reggay da história. Perry se contenta em dizer que apenas segue as vibrações espirituais para coordenar a sonoridade em questão.
Lee Perry completa seu 75º aniversário estrelando no documentário sobre sua vida e obra: The Upsetter, the Life and Music of Lee Scratch Perry.
O filme mostra a facinante história desse artista visionário vindo de uma pobre área rural no interior da Jamaica que chegou na cidade grande (Kingston) no final dos anos 50. Perry começou a carreira trabalhando como ajudante de estúdio e a partir daí começou a escrever suas músicas. Lançou seu próprio selo e seu primeiro single (People Funny Boy) em 1968. Já nos anos 70 produzia cerca de 20 músicas por semana em seu lendário estúdio The Black Ark. Ele foi um pioneiro do dub, usando a mesa de mixagem como instrumento para recriar versões de tunes jamaicanos já existentes.
O som de Lee Perry tem grande influência sobre inúmeras vertentes musicais e merece atenção de todo amante da música.
• Trailer (YouTube)
• People Funny Boy (YouTube)
“In Jamaica, everybody wants to make music.”
O documentário “Beats of the Heart: Roots Rock Reggae” (1977) exibe, em abundância, cenas dos guetos, da pobreza e da política se entrelaçando com a história da música e da sociedade jamaicana.
Dentre as imagens podemos ver registros raros de Lee “Scratch” Perry produzindo em seu lendário estúdio Black Ark, ensaios de Jimmy Cliff, entrevista com Joe Higgs, apresentações de U Roy, Inner Circle, Bob Marley etc.
Vídeo disponibilizado no YouTube em cinco partes:
LEE PERRY & FRIENDS – Sipple Out Deh: The Black Ark Years; Trojan, 2010 – PT1 http://ht.ly/2SWlv + PT2 http://ht.ly/2SWmT #album #download